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Anvisa alerta para riscos no uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico

Agência orienta suspensão imediata do tratamento em caso de suspeita de pancreatite; Reino Unido já registrou 19 mortes associadas

Redação
Por: Redação
10/02/2026 às 09h25 Atualizada em 12/02/2026 às 20h13
Anvisa alerta para riscos no uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico
Mulher aplica caneta emagrecedora no abdômen — Foto: Reprodução/TV Globo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o uso de canetas injetáveis indicadas para o tratamento de obesidade e diabetes sem prescrição e acompanhamento médico, especialmente quando utilizadas para finalidades não previstas em bula. O comunicado foi divulgado nesta segunda-feira (9) diante do aumento de notificações de casos de pancreatite associados a medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro.

De acordo com a Anvisa, o alerta engloba todos os medicamentos que contêm semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, abrangendo todas as canetas registradas no país. No Brasil, seis mortes por pancreatite estão sob investigação, além de mais de 200 notificações de problemas relacionados ao pâncreas durante o uso desses medicamentos.

A preocupação ganhou dimensão internacional após um alerta emitido pelo Reino Unido. No país, foram registradas 19 mortes associadas ao uso das canetas, em casos considerados raros, porém graves, incluindo episódios de pancreatite necrosante e fatal, segundo a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA).

Embora a pancreatite já esteja descrita como possível reação adversa nas bulas, a Anvisa destaca um crescimento recente nas notificações e reforça que os medicamentos devem ser utilizados “exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sempre com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”.

Atualmente, a maioria das canetas é autorizada apenas para o tratamento da obesidade e do diabetes. Há exceções específicas, como o uso da semaglutida para redução do risco de eventos cardiovasculares e do Mounjaro no tratamento da apneia. “Qualquer indicação fora dessa lista é contraindicada”, alerta a agência, ressaltando que o risco é ainda maior quando os medicamentos são usados para emagrecimento rápido ou fins estéticos.

A Anvisa orienta que o tratamento seja interrompido imediatamente diante de suspeita de pancreatite e não deve ser retomado caso o diagnóstico seja confirmado. A agência também chama atenção para a possibilidade de produtos falsificados, mesmo quando a notificação cita marcas conhecidas.

Especialistas reforçam a necessidade de cautela. “A população precisa ser alertada. Esses remédios são importantes e salvam vidas, mas podem se tornar perigosos se usados por pessoas sem indicação ou de fontes duvidosas”, afirma Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Em nota, a Novo Nordisk, responsável por Ozempic e Saxenda, informou que há advertências claras sobre o risco de pancreatite nas bulas dos medicamentos da classe GLP-1 e reforçou a importância do acompanhamento médico. Já a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, destacou que a inflamação do pâncreas é uma reação adversa incomum, mas prevista em bula, e orienta a interrupção do tratamento em caso de suspeita.

Fonte: G1

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