

Moradores de Ubá, uma das cidades mais atingidas pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira, protagonizaram protestos durante visitas do governador Romeu Zema (Novo) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). As manifestações gravadas para redes sociais ocorreram em meio a um cenário de destruição, com ruas tomadas por lama, entulho, pessoas desabrigadas e dezenas de mortes na região.
Durante visita a Ubá, o governador Romeu Zema (Novo) foi confrontado por uma moradora que cobrou providências imediatas. Em vídeo que circula nas redes sociais, a mulher critica a presença do governador sem que, segundo ela, haja apoio suficiente às ações emergenciais.
“A gente precisa de máquina, caminhão-pipa para lavar. Olha a bagunça que está isso aqui. Agora vir assim, limpinho, desse jeito, e não ajudar, não adianta”, afirmou.
Em outro momento, moradores reclamaram da falta de estrutura para a limpeza das vias e disseram que a presença de autoridades não substitui medidas práticas para reconstrução das áreas afetadas.
A insatisfação também marcou a passagem do deputado federal Nikolas Ferreira por Ubá. Em imagens registradas da sacada de um imóvel próximo a um rio que transbordou, um morador critica a interrupção dos trabalhos de limpeza para que o parlamentar gravasse um vídeo em uma rua ainda coberta por lixo e resíduos da enchente.
Segundo o relato, máquinas que realizavam a retirada de lama teriam sido paradas, o trânsito foi temporariamente fechado e agentes de segurança, incluindo integrantes do Exército e da Guarda Municipal, teriam interrompido suas atividades para acompanhar a gravação.
“Sabe por que está tudo parado desse jeito? Máquina querendo trabalhar, outra impossibilitada, o trânsito todo fechado ali por conta do Nikolas, que está aqui fazendo mídia, fazendo vídeo, atrapalhando no meio da obra”, afirmou o morador, que não foi identificado.
As imagens mostram o deputado cercado por assessores enquanto era filmado em meio ao cenário de destruição.
Entre 2023 e 2025, o orçamento estadual destinado à prevenção dos impactos das chuvas em Minas Gerais caiu de R$ 135 milhões para apenas R$ 6 milhões — uma redução de 96%. As críticas apontam que o corte comprometeu ações estruturais capazes de minimizar alagamentos e deslizamentos, especialmente em cidades historicamente vulneráveis como Ubá e Juiz de Fora.
Enquanto bairros inteiros enfrentam alagamentos, deslizamentos e muitas pessoas estão desabrigadas ou vivendo em áreas de risco, opositores do governo afirmam que a prioridade orçamentária tem sido o pagamento da dívida do estado com a União, em detrimento de investimentos em prevenção, infraestrutura e serviços públicos.
O governo estadual afirma estar prestando assistência às vítimas e lamenta o “grande sofrimento” provocado pelas chuvas. Já críticos classificam a situação não apenas como desastre natural, mas como consequência de escolhas políticas e da redução de investimentos em políticas preventivas.
As chuvas que atingiram a Zona da Mata deixaram dezenas de mortos e desaparecidos, além de milhares de desabrigados. Para movimentos sociais e parte da população, a tragédia é agravada por fatores estruturais, como o modelo de ocupação urbana, a precariedade histórica de investimentos em drenagem e prevenção, além de impactos ambientais associados à mineração e ao desmatamento.
Críticos defendem a criação de um plano emergencial robusto para reconstrução das cidades atingidas, com garantia de moradia, renda e indenização às famílias afetadas. Também pedem revisão das prioridades orçamentárias do estado.
Enquanto isso, em Ubá e demais cidades atingidas, como Juiz de Fora, moradores seguem mobilizados, cobrando que as visitas políticas se convertam em ações efetivas diante da dimensão dos danos causados pelas chuvas.
Com informações de Estadão, ndmais.com.br, redes sociais
Ver essa foto no Instagram
Ver essa foto no Instagram





