

O Banco Master, instituição financeira que se tornou o centro de uma tempestade política e judicial em Brasília, revela uma face robusta de seus investimentos no setor imobiliário mineiro. Levantamento realizado pelo portal MegaCidade.com aponta que a instituição detém a propriedade de 136 imóveis situados no município de Inhaúma.
As propriedades estão concentradas em dois empreendimentos de alto padrão: o Residencial Pacu e o Condomínio Encontro das Águas. Juntos, os ativos estão avaliados em mais de R$ 31 milhões. Apesar do cerco jurídico que se fecha sobre o banco, as informações iniciais indicam que a situação fiscal desses imóveis junto ao município permanece regularizada e sem débitos pendentes.
A revelação do patrimônio imobiliário ocorre em um momento crítico para o conglomerado liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. No Senado Federal, o clima é de guerra declarada. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, incluiu o Banco Master em seu relatório final, classificando a instituição como um caso “paradigmático” de sistemas de lavagem de dinheiro e corrupção.
“O caso do Banco Master é um exemplo de infiltração pela corrupção e um duto bilionário de lavagem de dinheiro”, afirmou Vieira ao Estadão.
Nesta quarta-feira (25), um grupo de parlamentares protocolou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar formalmente a CPI do Master. A cúpula do Congresso vem resistindo à abertura da investigação, o que levou os senadores a buscarem a intervenção do Judiciário, sob o argumento de que a demora compromete a coleta de provas.
A investigação parlamentar pretende aprofundar as suspeitas de que o banco teria exercido influência indevida em órgãos de controle. Documentos em análise sugerem que o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), teria determinado uma inspeção no Banco Central, seguindo orientações diretas de pedidos formulados por Vorcaro.
O relatório de Alessandro Vieira também deve apontar falhas graves e omissões por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do próprio Banco Central, que teriam falhado em fiscalizar as estratégias de expansão e captação de recursos do conglomerado.





