

Com o tema “Deficiência não define, oportunidades transformam” e a mensagem “Escute a nossa voz”, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, realizada de 21 a 28 de agosto, reforça a importância da autonomia, da participação e do respeito às escolhas das pessoas com deficiência. A campanha defende que elas sejam ouvidas, tenham seus direitos reconhecidos e ocupem espaços de decisão como protagonistas de suas próprias histórias.
Mais do que uma semana de conscientização, o período representa um chamado à sociedade para rever conceitos e ampliar oportunidades. A inclusão, nesse contexto, não pode se limitar à presença em escolas, empresas, espaços públicos ou atividades comunitárias. É necessário assegurar acessibilidade, respeito, autonomia e participação efetiva.
Quando a voz é ouvida, a escolha passa a ser respeitada
Para um casal de autodefensores que participa de um grupo de formação na área, ser ouvido representa ter suas opiniões levadas em consideração e poder decidir sobre aspectos da própria vida. “Quando nossa voz é ouvida, nossas escolhas são respeitadas e nossas capacidades são reconhecidas.”
A declaração traduz um dos principais objetivos do movimento de autodefensoria: fortalecer pessoas com deficiência para que conheçam seus direitos, expressem suas opiniões, defendam suas necessidades e participem das decisões que envolvem suas vidas.
Da inclusão ao protagonismo
Durante muito tempo, falar sobre deficiência esteve associado principalmente à necessidade de assistência e proteção. A perspectiva da autodefensoria amplia esse olhar e coloca a pessoa com deficiência no centro das decisões.
Isso significa reconhecer que essas pessoas têm sonhos, opiniões, desejos, talentos, responsabilidades e capacidade de contribuir para a sociedade.
A mudança pode parecer simples, mas representa uma transformação profunda: passar de uma posição em que outros decidem pela pessoa com deficiência para uma realidade em que ela também fala, escolhe, participa e decide.
“Nós temos sonhos. Somos capazes.”
A frase resume a mensagem de quem defende uma sociedade na qual a deficiência não seja utilizada para determinar antecipadamente o que uma pessoa pode ou não fazer.
Oportunidades podem transformar histórias
O tema deste ano chama atenção justamente para a palavra “oportunidades”. Quando existem condições adequadas, acessibilidade, apoio e respeito às escolhas individuais, pessoas com deficiência podem ampliar sua participação na vida social e conquistar novos espaços.
Por isso, a responsabilidade pela inclusão não está apenas nas mãos das pessoas com deficiência ou de suas famílias. Ela envolve escolas, empresas, poder público, instituições, comunidades e toda a sociedade.
Criar oportunidades também significa abrir espaço para que essas pessoas sejam ouvidas e tenham participação real nos ambientes em que vivem.
Uma semana para ouvir ,e mudar atitudes
A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla chega como um lembrete de que a inclusão verdadeira não acontece apenas quando uma porta é aberta.
Ela acontece quando, depois de entrar, a pessoa tem espaço para falar, é respeitada, participa das decisões e tem sua capacidade reconhecida.
A mensagem “Escute a nossa voz” coloca no centro da discussão aquilo que muitas vezes é deixado em segundo plano: a própria voz das pessoas com deficiência.
Fonte: APAE- Curvelo
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Da redação, Elen Ferrari




