

Há histórias que não precisam do som para ser contadas. Elas aparecem nos movimentos das mãos, nas expressões do rosto, no olhar e na forma como cada gesto ganha significado.
Foi nesse universo de comunicação e sensibilidade que o Projeto Viva Voz, em Curvelo, encontrou na poesia em Libras uma maneira de expressar sentimentos, ideias e experiências que nem sempre precisam ser ditos em palavras.
Durante a Semana do Surdo, o projeto preparou uma apresentação de Poesias Surdas, na qual participantes surdos utilizaram a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para transformar movimentos, expressões faciais e gestos em versos.
A iniciativa ganhou ainda mais significado dentro das ações de conscientização do Setembro Azul, período dedicado à visibilidade, à valorização da cultura e da identidade surda, além da defesa da acessibilidade e dos direitos da comunidade surda.
No palco, a comunicação aconteceu de uma maneira diferente. As mãos falaram, os olhos acompanharam e as expressões deram intensidade a cada mensagem.
A voz não ecoou pelo som, mas esteve presente em cada movimento, demonstrando que comunicar também é encontrar diferentes formas de colocar sentimentos e pensamentos no mundo.
Mais do que uma apresentação artística, a atividade revelou a força da cultura surda e da Libras como língua, identidade e instrumento de expressão. Cada sinal carregava um significado; cada movimento ajudava a construir uma narrativa que precisava ser vista, e não apenas ouvida.
O Centro Educacional e Cultural Viva Voz cria, assim, um espaço de protagonismo e pertencimento para a comunidade surda de Curvelo, aproximando públicos e contribuindo para ampliar a compreensão sobre as diferentes formas de comunicação.
Porque algumas vozes não chegam aos ouvidos. Chegam aos olhos. E, pelas mãos, também podem virar poesia.
Fonte: Centro Educacional e Cultural Viva Voz
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Da redação, Elen Ferrari




