

Nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, a partir das 8h, tem início o julgamento dos suspeitos envolvidos na morte de Kendra Oliveira Martins da Silva, vítima de feminicídio em Curvelo, na região Central de Minas Gerais. O crime ocorreu em 2018, a prisão do principal suspeito foi realizada em 2022 e, agora, anos depois, o caso avança para a fase judicial.
Kendra tinha 20 anos e morava no bairro Ponte Nova, em Curvelo, com o companheiro e a filha do casal, então com 3 anos de idade. Ela foi assassinada na madrugada do dia 24 de outubro de 2018, por volta das 2h. Vizinhos relataram à polícia ter ouvido gritos de socorro vindos da residência.
Na manhã seguinte, a filha da vítima saiu de casa e procurou parentes que moravam próximos, informando que a mãe estava morta. Kendra foi encontrada já sem vida, caída no chão da cozinha, em decúbito ventral, com sinais de violência extrema, perfurações pelo corpo e indícios de agressão com objeto perfurocortante, possivelmente uma faca.
A perícia constatou, entre os ferimentos, corte no braço esquerdo, perfuração no tórax, entre os seios, e um profundo corte no pescoço, de orelha a orelha, que media cerca de 31 centímetros, com aproximadamente 11 centímetros de profundidade, quase provocando a degola da vítima. No local, também foram encontradas pegadas sujas de sangue, possivelmente do autor do crime.
Na época, um suspeito chegou a ser encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos, mas ninguém foi preso. A Polícia Civil iniciou as investigações para apurar autoria e motivação do homicídio.

Somente em 2022, após anos de apuração, a Polícia Civil prendeu o principal suspeito do crime. O homem, identificado pelas iniciais S.I.R., de 51 anos, foi detido no dia 26, em operação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Delegacia Regional de Curvelo, com apoio da Agência de Inteligência Policial e outras equipes da 1ª DRPC Curvelo.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito era vizinho da vítima e frequentava a casa de Kendra. As investigações apontaram que, na madrugada do crime, ele teria tentado abusar sexualmente da jovem, mas, ao ser reconhecido por ela, decidiu assassiná-la.
Durante o inquérito, foram realizadas diversas diligências, incluindo provas periciais com luminol, comparação de DNA e exame de identificação plantar. O conjunto dessas provas, aliado a outros elementos colhidos ao longo da investigação, levou à identificação e prisão do suspeito.
Agora, oito anos após o crime e quatro anos após a prisão, o caso chega ao Tribunal do Júri. O julgamento marca uma etapa decisiva na busca por justiça para Kendra e seus familiares, em um processo que se tornou símbolo da luta contra a impunidade em casos de feminicídio na região.
Por Maria Eduarda Alves





