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Expedição ‘Sertão de Guimarães’ percorre 1,6 mil km entre Cordisburgo e Brasília em busca de caminhos, saberes e patrimônio cultural

Jornada de 30 dias em bicicletas pretende consolidar infraestrutura turística digital, mapear tradições locais e fortalecer o turismo sustentável no sertão mineiro e no Planalto Central.

Redação
Por: Redação
26/04/2026 às 17h50 Atualizada em 26/04/2026 às 17h59
Expedição ‘Sertão de Guimarães’ percorre 1,6 mil km entre Cordisburgo e Brasília em busca de caminhos, saberes e patrimônio cultural
Monumento em Cordisburgo faz referência à obra-prima do filho mais ilustre, João Guimarães Rosa/Foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press

Promovida pelo Museu de Território Caminhos de Rosa, a Expedição Sertão de Guimarães terá início no próximo dia 16 de maio, com saída marcada para às 8h, na Fazenda Paulista, em Cordisburgo (MG). A iniciativa vai percorrer 1.647 quilômetros até Brasília (DF), atravessando cenários históricos, culturais e ambientais ligados ao universo do escritor João Guimarães Rosa.

Sob coordenação do museólogo André Ferreira, a jornada busca validar trajetos, registrar saberes tradicionais e estruturar um sistema turístico digital, gratuito, bilíngue e autoguiado, permitindo futuras visitas com autonomia e respeito às comunidades locais.

De acordo com a organização, o projeto é voltado a moradores, ciclistas, pesquisadores e lideranças comunitárias, que poderão contribuir diretamente para a preservação do patrimônio histórico e cultural imaterial, além de impulsionar a economia regional.

Museu a céu aberto

A proposta apresenta o território como um grande museu sem paredes, no qual o verdadeiro acervo está no conhecimento transmitido pela oralidade e pelas práticas cotidianas, como receitas tradicionais, manejo do carro de boi, cultura vaqueira e modos de vida rurais.

Durante os 30 dias de percurso, a bicicleta será o principal meio de deslocamento, favorecendo contato direto com a paisagem e acesso a regiões de difícil circulação motorizada. Duas caminhonetes darão suporte logístico, garantindo segurança, pesquisa documental e registros audiovisuais simultaneamente.

Roteiro cultural e ambiental

Entre os principais pontos da expedição está o Museu Casa Guimarães Rosa, em Cordisburgo, cidade natal do escritor. Também integra o eixo inicial a Gruta do Maquiné, referência científica da paleontologia brasileira e espaço ligado ao imaginário rosiano.

O trajeto ainda passa por Andrequicé, território de Manuelzão, personagem real que inspirou obras de Guimarães Rosa. No local, a Capelinha de Nossa Senhora do Rosário e o Museu do Manuelzão preservam a memória da cultura sertaneja.

Outro destaque será o Rio São Francisco, com passagens por Pirapora e Buritizeiro, além da histórica Ponte Marechal Hermes, símbolo da ligação entre as margens do rio.

No Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, os participantes visitarão formações geológicas monumentais, pinturas rupestres com mais de 9 mil anos e a Gruta do Janelão, onde está uma das maiores estalactites do mundo.

Já no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, a equipe atravessará veredas, chapadas e áreas de biodiversidade preservada, habitat de espécies como onças-pintadas e lobos-guará.

Chegada ao Planalto Central

Na reta final, a expedição passará por cidades goianas como Cabeceiras e Formosa, onde o Salto do Itiquira marca um dos últimos grandes atrativos naturais antes da chegada a Brasília.

Segundo os organizadores, a capital federal simboliza não apenas o fim do percurso, mas a integração do projeto à Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, fortalecendo corredores ecológicos e culturais entre Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Legado

Além de incentivar o turismo sustentável, a ação pretende valorizar comunidades rurais, quilombolas e pequenos produtores, fortalecendo tradições ameaçadas pelo êxodo rural.

Em escala internacional, o projeto também busca ampliar o reconhecimento do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Ao final, todo o conteúdo coletado será transformado em guia digital permanente, criando um legado para futuras gerações e reforçando o sertão mineiro como destino cultural, científico e turístico.

Da Redação com em.com.br

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