

Uma carga de aproximadamente 600 quilos de pólvora clandestina foi apreendida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na noite desta sexta-feira (10), durante uma fiscalização de rotina na BR-262, em Bom Despacho, na região Central de Minas Gerais. O material era transportado de forma irregular em um caminhão e tinha como destino final a região Nordeste do país.
Segundo a PRF, a carga estava escondida no baú de um caminhão Volkswagen e distribuída em 40 caixas contendo cerca de 14 mil recipientes individuais de pólvora. Além dos explosivos, os policiais apreenderam o veículo utilizado no transporte e um aparelho celular.
Durante a abordagem, o motorista, de 31 anos, apresentou nervosismo e entrou em contradição ao ser questionado sobre a carga. Posteriormente, ele confessou que havia buscado o material em Santo Antônio do Monte (MG), município conhecido nacionalmente pela indústria de fogos de artifício, e que faria a entrega no Nordeste. O condutor não possuía a Guia de Tráfego do Exército Brasileiro, documento obrigatório para o transporte de explosivos, nem notas fiscais que comprovassem a origem da carga.
De acordo com a corporação, a pólvora não possuía identificação do fabricante nem data de validade, características que indicam origem clandestina e impossibilitam a rastreabilidade do produto. A ausência da documentação também configura infrações previstas na legislação que regulamenta o controle de produtos explosivos no Brasil.
Embora a pólvora seja considerada um explosivo de baixo poder de detonação individual, especialistas alertam que o grande volume apreendido representa elevado risco coletivo. Conforme parâmetros internacionais de segurança para transporte de produtos perigosos, uma quantidade como a interceptada pode gerar enorme expansão de gases em caso de combustão, aumentando significativamente o potencial destrutivo de uma explosão.
As recomendações de segurança para ocorrências envolvendo entre 450 kg e 2.250 kg de pólvora indicam um raio mínimo de isolamento de aproximadamente 300 metros para proteger pessoas não abrigadas, evidenciando o risco representado pelo carregamento.
A PRF destacou que a quantidade apreendida e o fracionamento em milhares de recipientes indicam uma possível operação de distribuição em larga escala, hipótese que será investigada pelas autoridades. Entre as suspeitas está o abastecimento de mercados clandestinos voltados à fabricação irregular de fogos de artifício ou ao uso ilegal de explosivos em atividades como mineração e pesca.
Por conta da instabilidade química do material, os policiais adotaram rígidos protocolos de segurança durante toda a ocorrência para evitar qualquer risco de ignição acidental na rodovia.
Após a apreensão, a carga foi entregue à custódia de uma empresa especializada, sob orientação técnica do Exército Brasileiro, onde permanecerá até a realização da destruição segura do material. O caso será investigado para identificar a origem da pólvora, os responsáveis pelo envio e os destinatários da carga.
O suspeito foi detido em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil (Depol) de Bom Despacho, onde responderá pelo crime de transporte ilegal de substância explosiva.
Fonte: g1




