A escola apresentou o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que retratou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância em Garanhuns (PE) até os mandatos à frente da Presidência da República. O samba-enredo foi o único quesito em que a Acadêmicos de Niterói obteve nota máxima de todos os jurados.
Alegorias e polêmicas
As alegorias e fantasias trouxeram representações de momentos recentes da política brasileira, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, críticas ao conservadorismo — incluindo fantasias que faziam alusão a “famílias em conserva” — e a caracterização do ex-presidente Jair Bolsonaro como o personagem Bozo. A abordagem gerou repercussão nas redes sociais e dividiu opiniões entre o público.
Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), a escola perdeu pontos em quesitos técnicos como evolução, harmonia, alegorias e fantasias, além de apresentar falhas de acabamento e problemas de organização durante o desfile, fatores que contribuíram para a queda na classificação.
Presença e repercussão política
O desfile contou com a presença do presidente Lula na Marquês de Sapucaí, acompanhado de aliados. O Palácio do Planalto chegou a avaliar a participação de ministros em um dos carros alegóricos, mas a ideia foi descartada por receio de questionamentos na Justiça Eleitoral. O governo também divulgou orientações sobre a conduta de autoridades durante o período de Carnaval.
A primeira-dama, que inicialmente participaria do desfile, decidiu não subir no carro alegórico de última hora e foi substituída pela cantora Fafá de Belém.
Após a apresentação, partidos de oposição anunciaram a intenção de acionar o Tribunal Superior Eleitoral, alegando possível propaganda eleitoral antecipada. O desfile também recebeu críticas de parte do público religioso, especialmente por conta das referências às famílias conservadoras.
Próximos passos
Com o rebaixamento, a Acadêmicos de Niterói inicia agora o planejamento para disputar a Série Ouro no próximo Carnaval, com o objetivo de retornar ao Grupo Especial. A escola ainda não divulgou mudanças na direção ou no comando artístico, mas dirigentes afirmaram que será feito um balanço técnico para corrigir falhas e reforçar a competitividade da agremiação.