

O consumidor brasileiro deve enfrentar mais uma Páscoa com preços elevados para chocolates. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o chocolate em barra e os bombons acumulam alta de 26% nos últimos 12 meses, conforme a prévia da inflação de fevereiro.
Apesar de o preço do cacau ter começado a cair no campo, essa redução ainda não chegou às prateleiras. Isso porque a indústria compra a matéria-prima com antecedência de seis a doze meses. Assim, os ovos e chocolates desta Páscoa foram produzidos com cacau adquirido quando as cotações internacionais estavam em patamares recordes.
No início de 2025, o preço do cacau chegou a cerca de US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York. Atualmente, os valores giram em torno de US$ 3 mil por tonelada para alguns subprodutos, mas a queda ainda não foi repassada ao consumidor.
A alta expressiva foi provocada principalmente pela quebra de safra no Brasil e em grandes produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024. Problemas climáticos relacionados ao El Niño, além de pragas e doenças, reduziram a oferta global.
Com menor disponibilidade do produto, países com maior poder aquisitivo, como Estados Unidos e nações europeias, competiram pelo cacau africano, pressionando ainda mais os preços e afetando mercados como o brasileiro.
Nesta semana, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, principal fornecedor externo do Brasil e maior produtor mundial da amêndoa.
A decisão foi tomada após suspeitas de risco sanitário, com possibilidade de mistura de grãos oriundos da Libéria e da Guiné — países que não têm autorização para exportar ao Brasil.
Apesar da medida, especialistas avaliam que não deve haver falta de produto nem novo aumento de preços. O mercado brasileiro é abastecido majoritariamente pela produção nacional, recorrendo à importação de forma sazonal, especialmente no início do ano, durante a entressafra. Caso seja necessário, o país pode buscar fornecedores como o Equador, que registra boa safra.
Desde o segundo semestre do ano passado, o valor pago ao produtor vem recuando. A recuperação parcial das colheitas e a redução da demanda da indústria contribuíram para esse movimento.
Com os preços elevados, fabricantes reformularam produtos, reduziram o tamanho das barras e substituíram parte da manteiga de cacau por outras gorduras. Isso diminuiu a compra de subprodutos pelas indústrias, impactando diretamente as moageiras e, consequentemente, o valor pago aos agricultores.
Na Bahia, por exemplo, produtores recebem em média R$ 200 por arroba, cerca de 70% abaixo do registrado no ano anterior. A situação gerou protestos, incluindo bloqueios na BR-101, em Ibirapitanga, contra os baixos preços e a importação do produto.
Especialistas apontam que a tendência de queda ao consumidor deve ocorrer apenas a partir do segundo semestre, caso os preços internacionais e domésticos do cacau se mantenham em patamares mais baixos. Até lá, a Páscoa de 2026 ainda deve pesar no bolso dos brasileiros.
Fonte: G1





