

Foi concluído nessa sexta-feira (6), no Fórum de Curvelo, o julgamento dos autores do homicídio de Kendra Oliveira Martins da Silva, vítima de feminicídio em 2018. O crime, marcado por extrema violência, causou grande comoção social e se tornou um dos casos mais emblemáticos da região Central de Minas Gerais.
Ao final do júri, os réus foram condenados:
Sérgio Irene dos Reis recebeu pena de 23 anos e 6 meses de reclusão.
Gabriel Vieira foi condenado a 28 anos de reclusão.
A sessão teve início às 8h da manhã e foi encerrada por volta das 22h, após um dia inteiro de debates entre acusação e defesa, além da oitiva de testemunhas e apresentação das provas reunidas ao longo das investigações.
Kendra tinha 20 anos e morava no bairro Ponte Nova, em Curvelo, com o companheiro e a filha do casal, então com 3 anos de idade. Ela foi assassinada na madrugada de 24 de outubro de 2018, por volta das 2h. Vizinhos relataram à polícia ter ouvido gritos de socorro vindos da residência.
Na manhã seguinte, a filha da vítima saiu de casa e procurou parentes próximos, informando que a mãe estava morta. Kendra foi encontrada caída no chão da cozinha, já sem vida, em decúbito ventral, com sinais de violência extrema, múltiplas perfurações pelo corpo e indícios de agressão com objeto perfurocortante.
A perícia constatou ferimentos no braço esquerdo, perfuração no tórax, entre os seios, e um corte profundo no pescoço, de orelha a orelha, com cerca de 31 centímetros de extensão e 11 centímetros de profundidade, quase provocando a degola da vítima. No local, também foram encontradas pegadas com marcas de sangue, possivelmente do autor do crime.
Apesar de um suspeito ter sido ouvido na época, ninguém foi preso imediatamente, e a Polícia Civil deu início a uma investigação de longa duração para apurar autoria e motivação.
Somente em 2022, após anos de apuração, o principal suspeito foi preso. Identificado pelas iniciais S.I.R., então com 51 anos, ele foi detido no dia 26, em operação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Delegacia Regional de Curvelo, com apoio da Agência de Inteligência Policial e equipes da 1ª DRPC.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito era vizinho da vítima e frequentava sua residência. As investigações indicaram que, na madrugada do crime, ele teria tentado abusar sexualmente de Kendra e, ao ser reconhecido por ela, decidiu assassiná-la.
Durante o inquérito, foram realizadas diversas diligências, incluindo exames com luminol, comparação de DNA e exame de identificação plantar, cujo conjunto de provas foi determinante para a elucidação do crime.
O julgamento, realizado em 2026, ocorre oito anos após o crime e quatro anos após a prisão, representando uma etapa decisiva na busca por justiça para Kendra e seus familiares. O caso se consolidou como um símbolo da luta contra a impunidade e do enfrentamento ao feminicídio em Curvelo e região.





